Português: os erros mais comuns em provas de concurso
Língua Portuguesa é disciplina obrigatória em praticamente todos os concursos públicos do Brasil. Além de ter peso elevado, ela funciona como critério de desempate em muitos editais. Conhecer os erros mais recorrentes é uma forma inteligente de ganhar pontos preciosos.
1. Crase: o terror dos concurseiros
A crase é, de longe, o tema que mais gera dúvidas. A regra fundamental é simples: crase é a fusão da preposição “a” com o artigo definido feminino “a”. Para saber se há crase, faça o teste da substituição:
- Troque a palavra feminina por uma masculina. Se o “a” virar “ao”, há crase
- Exemplo: “Fui à biblioteca” → “Fui ao museu” ✓ (há crase)
- Exemplo: “Entreguei a ela” → “Entreguei a ele” ✓ (sem crase, pois não vira “ao”)
Casos obrigatórios de crase:
- Antes de horas: “Chegou às 8 horas”
- Locuções femininas: “à medida que”, “às vezes”, “à noite”
- “À moda de”: “bife à milanesa”
Casos proibidos:
- Antes de verbos: “Começou a estudar”
- Antes de palavras masculinas (regra geral): “Andou a cavalo”
- Antes de pronomes de tratamento: “Dirijo-me a Vossa Excelência”
2. Concordância verbal
As bancas adoram questões que testam concordância com sujeitos complexos. Os casos mais cobrados são:
- Sujeito composto posposto ao verbo: o verbo pode concordar com o núcleo mais próximo ou com o todo. “Chegaram o professor e os alunos” ou “Chegou o professor e os alunos” — ambas as formas são aceitas
- Expressões partitivas: “A maioria dos candidatos acertou/acertaram” — o verbo pode ir para o singular ou plural
- “Um dos que”: “Ele foi um dos que mais estudaram” — o verbo vai para o plural
- Sujeito coletivo: “O grupo decidiu” (singular), mas “O grupo de alunos decidiram” é aceito quando o verbo está distante do sujeito
3. Regência verbal
Regência é a relação entre o verbo e seus complementos. Os verbos mais cobrados em provas são:
- Assistir: “Assisti ao jogo” (ver) versus “O médico assiste o paciente” (auxiliar)
- Visar: “Visou ao cargo” (almejar) versus “Visou o documento” (assinar)
- Preferir: “Prefiro café a chá” — nunca use “do que” com preferir
- Obedecer/desobedecer: sempre com “a” — “Obedeceu ao regulamento”
- Implicar (no sentido de acarretar): sem preposição — “Isso implica mudanças”
4. Pontuação: a vírgula traiçoeira
A vírgula é responsável por muitos erros em provas. As regras mais importantes:
- Nunca separe sujeito de verbo com vírgula: “O candidato**,** estudou” está errado
- Aposto explicativo: use vírgulas — “Brasília**,** capital do Brasil**,** é moderna”
- Adjunto adverbial deslocado: vírgula obrigatória quando extenso — “Naquele momento de tensão, todos se calaram”
- Oração subordinada adverbial antecipada: vírgula obrigatória — “Quando chegou, a prova já havia começado”
5. Uso do “onde” e “aonde”
Essa distinção é simples, mas muitos candidatos erram:
- Onde: indica permanência — “A cidade onde moro”
- Aonde: indica movimento — “A cidade aonde vou”
Dica: se o verbo pede a preposição “a” (ir a, chegar a), use “aonde”. Caso contrário, use “onde”.
Como evitar esses erros na prova
A melhor forma de fixar regras gramaticais é praticar com questões reais de bancas. Não basta ler a teoria — resolva questões da CESPE, FCC, FGV e VUNESP sobre cada tema. Com a prática repetida, os padrões se tornam automáticos e você passa a identificar as pegadinhas antes mesmo de ler todas as alternativas.
Conclusão
Português para concursos não exige decorar toda a gramática. Focando nos temas que mais caem — crase, concordância, regência e pontuação —, você já cobre a maioria das questões. Estude com método, pratique com questões e revise os erros. Cada ponto de Português pode ser o ponto que separa a aprovação da reprovação.
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